Cansei de correr atrás do coelho branco. Ele está sempre atrasado e mesmo assim eu nunca o alcanço. E aquela porta? Por que ela é daquele tamanho? Se estou grande, não consigo passar por ela, se estou pequena, não posso abri-la. Esse negócio de "DRINK ME", "EAT ME" também já não aguento mais. Já bebi tanto que as coisas estão mudando de forma, aquele bebê acabou de virar um porquinho. Um porquinho ou um coquinho? Nem me lembro mais...
Não quero mais andar, vou sentar com a Centopéia, fumar narguile e enchê-la de perguntas. Talvez eu coma um cogumelo, talvez coma a Centopéia... Não sei se foi a garrafinha, o narguile, o cogumelo ou a centopéia, mas não me sinto bem, as coisas têm formas e cores estranhas. O gato com sorriso e o sorriso sem gato não me espantam mais.
O chá da tarde do dia inteiro às vezes me faz rir um pouco. Entre uma e outra mergulhada do ratinho no bule, o Chapeleiro faz alguma de suas charadas sem resposta. Ainda espero o dia em que, enquanto troco de lugar e sento no chá que a Lebre derramou, terei a resposta para uma das charadas. Vou deixá-los passando manteiga no relógio e vou procurar a Rainha Vermelha, quem sabe ela queira jogar ou mandar cortar a cabeça de alguém. Espero não pisar em tinta de novo.
Seria tão mais simples replantar as roseiras, ou mandar cortar a cabeça da Rainha, o Dois de Paus está tão vermelho quanto o Quatro de Ouro. Vou jogar paciência com a Rainha. Talvez ela prefira jogar truco, assim os Oitos, os Noves e os Dez podem continuar pintando as rosas brancas de vermelho.
Não fui feliz no meu truco com a Rainha. O pobre Três de Espadas teve sua cabeça cortada por valer mais que a Rainha Vermelha. Preciso de algo para beber, onde estão as garrafinhas "DRINK ME" agora? Ah, estava quase esquecendo, tenho que continuar a procurar o coelho...
segunda-feira, setembro 28, 2009
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